A ÉTICA NAS RELIGIÕES
As tradições religiosas são um pertencimento
humano. Ou seja, elas fazem parte do contexto social e cultural de um povo. Uma
das razões pelas quais vários indivíduos buscam algum tipo de religião é para
"colocar ordem na vida". Por causa das intempéries do cotidiano,
às pessoas buscam na fé religiosa, sentido para vida, espiritualidade,
esperança para viver e também orientações para uma conduta correta. A ética é um ramo
da filosofia, e as religiões possuem em seu repertório doutrinário princípios
éticos. Com isso podemos concluir que: religião e filosofia andam
juntas. Geralmente quando uma pessoa procura uma religião, e adere a ela,
consequentemente aceitará os princípios éticos e morais dessa religião.
Veremos a seguir , de forma resumida, os princípios éticos do hinduísmo, budismo, judaísmo, islã e cristianismo.
1. Hinduísmo. "A ética do hinduísmo funda-se no carma, a lei moral de causa e efeito, e no darma, o conceito do caminho moral correto que cada pessoa deve seguir. Como o caráter e as circunstancias de uma pessoa variam, a fé lhe oferece maneiras de viver bem e seguir seu darma" (WILKINSON, 2011, p. 172).
"Aquilo que faço
aqui e agora, terá consequências na próxima reencarnação". A ética hindu
está completamente ligada a lei da "causa e efeito". O fiel hindu
procura a partir do seus méritos e esforço próprio ter uma conduta moral que
lhe garanta viver melhor em outra vida. Mas
qual a diferença entre carma e darma? O termo carma vem do sânscrito que significa "ação",
"ato","trabalho", está ligado as consequências das ações
feitas pelo homem, e que determinarão o que acontecerá com ele futuramente. O
carma é um código de ética coletivo, ninguém foge dele. Já o darma é mais individual e está ligado a casta que a pessoa faz
parte. Existe um darma para cada tipo de pessoa, e cabe a cada um viver
conforme o seu darma.
"A sociedade hindu é dividida numa
série de classes sociais, chamadas varnas ou castas. A vida e as ações de todos
dependem da classe em que nasceram. Por tradição, o darma de uma pessoa tem
relação direta com a varna em que nasceu. [...] A casta que um hindu nasce
afeta sua escolha de trabalho, de cônjuge, e das pessoas com as quais pode
comer ou de quem pode aceitar comida. A ética hindu se ajusta a esse sistema de
classe, e a pessoa deve obedecer às regras de casta para permanecer ritualmente
pura" (WILKINSON, 2011, p. 173). Não podemos
esquecer que dentro desse sistema de castas, existem castas superiores e
inferiores. E é um sistema que não permite mudanças, ou seja, quem é de uma
casta inferior não pode mudar para outra superior. Em suma, o individuo cresce
e morre na casta que nasceu.
Mas apesar disso, independente da casta, os hindus acreditam que a vida é sagrada. A violência deve ser evitada. E é condenável matar animais para alimentação. Essa é a causa da vaca ser um animal sagrado para os hindus. Os hindus não comem carne de vaca, eles são essencialmente vegetarianos.
Mas apesar disso, independente da casta, os hindus acreditam que a vida é sagrada. A violência deve ser evitada. E é condenável matar animais para alimentação. Essa é a causa da vaca ser um animal sagrado para os hindus. Os hindus não comem carne de vaca, eles são essencialmente vegetarianos.
2. Budismo.
O Budismo é uma divisão do hinduísmo, mas tomou emprestado alguns princípios éticos da antiga religião.
O Budismo é uma divisão do hinduísmo, mas tomou emprestado alguns princípios éticos da antiga religião.
"Tal como outras religiões da
Índia, como o hinduísmo e o jainismo, o budismo adere à lei da causalidade
moral, ou carma, segundo a qual os seres humanos acumulam mérito ou demérito
(carma bom ou mau) como resultado de seu comportamento.[...] Nesse ínterim,
esperam acumular mérito seguindo os preceitos éticos estabelecidos quando o
budismo surgiu" (WILKINSON, 2011, p. 194).
A ética budista está
fundamentada no "caminho das
oito vias", é através deste
caminho em que o fiel budista se esforça para se livrar do sofrimento e do
desejo. Semelhante ao hinduísmo, a ética budista é essencialmente meritória, ou
seja, é pelos seu méritos que o budista alcança à libertação dos desejos e do
ciclo de reencarnações.
"Com base em sua própria
experiência, Buda acreditava que o homem deve evitar os extremos da vida. Não
se deve viver nem no prazer extravagante, nem na autonegação exagerada. Ambos
os extremos acorrentam o homem ao mundo e, assim, à "roda da vida". O
caminho para dar fim ao sofrimento é o "caminho do meio", e Buda o
descreveu em oito partes: (1) perfeita compreensão; (2) perfeita aspiração; (3)
perfeita fala; (4) perfeita conduta; (5) perfeito meio de subsistência; (6)
perfeito esforço; (7) perfeita atenção, e (8) perfeita contemplação"
(HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2000, p. 57).
Os pontos 3, 4 e 5,
estabelecem código moral no budismo. A perfeita fala significa
que homem deve se abster de falar mentiras, calúnias e fofocas. O budista deve
falar de forma verdadeira e amigável com o seu semelhante. A perfeita conduta está relacionada a não
matar, não roubar, não ter uma vida promiscua, etc. A perfeita subsistência está relacionado à escolha
de uma profissão. O budista não teve escolher um trabalho que entre em
confronto com os ensinamentos budistas. Por exemplo, é incompatível um
budista ser açougueiro, pois esse trabalho entra em desacordo com o princípio
budista de não matar.
3. Judaísmo.
3. Judaísmo.
"O judaísmo tem centenas de
mandamentos, mas os judeus não veem sua fé como legalista. Como os ensinamentos
da Torá e do Talmude são muito práticos e cobrem todos os aspectos da vida, os
judeus estão conscientes de sua religião e de sua ligação com Deus em tudo o
que fazem" (WILKINSON, 2011, p. 72).
A ética judaica não é
dualista, ou seja, os judeus não fazem distinção entre ética e vida religiosa.
Na Torá judaica existem ao todo 613 mandamentos, que regem vários aspectos da
vida dos judeus.
"O judaísmo dá destaque a uma
série de qualidades eticamente boas: generosidade, hospitalidade, boa vontade
para ajudar, honestidade e respeito pelos pais. Um princípio fundamental é
não fazer mal aos outros, ou, de maneira afirmativa: "Amará o teu próximo
como a tio mesmo" (Levítico 19.18). [...] A Bíblia exige que sejam dados
de presente aos pobres os frutos da terra. Desde os tempos antigos era hábito
não colher o que desse nos cantos dos campos, para que os pobres pudessem ali
entrar e colher para si. Do mesmo modo, parte das azeitonas e das uvas era
deixada nas árvores e nos vinhedos para ser apanhada pelos pobres"
(HELLERN; NOTAKER; GAARDER, 2000, p. 112).
Colocar esses
preceitos em prática é uma forma do fiel judeu se aproximar do Eterno. À medida
que os mandamentos da Torá são observados e praticados; a vida social e
comunitária dentro do judaísmo se torna justa, no sentido de que os menos
favorecidos sejam amparados e os mais abastados sejam solidários.
4. Islã.
"O Islã é uma religião prática.
Oferece a seus seguidores um corpo de instruções sobre como viver suas vidas, e
estabeleceu um sistema, chamado xariá, para orientar a tomada de decisões
morais e legais. Enraizadas no Corão, essas instruções morais também acolhem a
opinião de líderes religiosos" (WILKINSON, 2011, p. 134).
Todos princípio éticos
islâmicos estão contidos na Xariá. É através dela que à vida do fiel
muçulmano, como da sociedade são regidos. O Corão é o principal fundamento da
Xariá e da ética muçulmana. No entanto, também existe a Suna que são os relatos
da vida do Profeta Maomé. Quando uma passagem do Corão não é bem
compreendida, a Suna (Hadith) do Profeta serve como auxilio interpretativo.
Quanto mais o crente muçulmano conhece o Corão, mais aprenderá os princípios
éticos do Islã.
5. Cristianismo. O principal fundamento da ética cristã é a vida e os ensinos de Jesus Cristo. O fiel cristão procurará conduzir a sua vida através do que Cristo ensinou. O sermão da montanha, registrado no Evangelho de São Mateus, é uma das bases para fundamentação da ética cristã.
"O chamado Sermão da Montanha
(Mateus 5-7) é fundamental para as bases éticas do cristianismo. Jesus começa
dizendo à multidão que não veio para revogar a lei judaica de Moisés, mas sim
para cumpri-la. Ele prossegue estabelecendo um novo sistema ético que estende a
lei mosaica de um modo que se tornou fundamental para a formulação de uma
moralidade cristã distinta. Amplia o mandamento "Não matarás",
fazendo-o incluir até o fato de alimentar raiva contra o outro; expande o mandamento
contra o adultério para que abranja desejos lúbricos; e reforça a injunção
contra a invocação em vão do nome do Senhor, nela inserido praguejar falando em
céu, terra ou em si próprio" (GOOGAN, 2007, p. 75).
Por
ser a religião com o maior número de adeptos; é comum que os princípios éticos
do cristianismo acabem se espalhando para outras partes do planeta. Várias
nações e países foram, durante sua história, moldados em princípios éticos
cristãos. Trabalhos beneficentes, decisões jurídicas e a constituição de alguns
países, foram direta ou indiretamente fundamentados em algum principio ético
cristão.

Fontes:
COOGAN. Michael. Religiões. São Paulo, Publifolha, 2007.
HELLERN, Vitor; NOTAKER, Henry; GAARDER, Jostein. O livros das Religiões. São Paulo. Companhia das letras, 2000.
FONAPER. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Religioso. São Paulo, Mundo Mirim, 2009.
WILKINSON, Philip. Religiões: guia ilustrado Zahar. Rio de Janeiro, Zahar, 2011.
COOGAN. Michael. Religiões. São Paulo, Publifolha, 2007.
HELLERN, Vitor; NOTAKER, Henry; GAARDER, Jostein. O livros das Religiões. São Paulo. Companhia das letras, 2000.
FONAPER. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Religioso. São Paulo, Mundo Mirim, 2009.
WILKINSON, Philip. Religiões: guia ilustrado Zahar. Rio de Janeiro, Zahar, 2011.
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